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Entenda como uma inflação estável favorece vários setores da economia brasileira

Por: FCDL MINAS GERAIS 12 de janeiro de 2024
Entenda como uma inflação estável favorece vários setores da economia brasileira

A inflação encerrou o ano de 2023 em 4,62%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quinta-feira (11) e que calcula a variação média dos preços no país. O número pode parecer alto, mas ficou bem abaixo dos últimos anos. Em 2022, o índice ficou em 5,79%. E em 2021, a inflação chegou ao nível crítico de 10,06%, no ano com os piores efeitos da pandemia de Covid-19 na economia brasileira.

Durante a crise sanitária, muitas indústrias tiveram que parar no mundo por causa do isolamento social. Com pouca oferta, os preços de muitos produtos dispararam. Mas em 2023, a situação voltou ao normal, trazendo estabilidade para o país.

“Nós finalizamos o processo de pandemia e normalizamos as cadeias produtivas, mesmo que tenham algumas exceções como por exemplo as passagens aéreas, que há uma série de questões que explicam porque elas ainda estão elevadas. Mas o fim da pandemia trouxe essa normalização das cadeias produtivas e a estabilidade, mesmo que a gente tenha inflações pontuais ao longo do ano”, explica Carla Beni, economista e professora de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Como o IPCA representa uma média dos preços, alguns produtos e serviços ficaram bem mais caros em 2023 do que o índice de 4,62%, como as passagens aéreas (47,24%), o arroz (24,54%) e o transporte público (12,67%).

Por outro lado, outros tiveram queda expressiva, como o óleo de soja (-28%), o frango em pedaços (-10,12%) e as carnes em geral (-9,37%). Ou seja, para cada setor da economia, a inflação tem um impacto diferente. Mas para todos, a estabilidade econômica é importante para estimular o crédito e facilitar o planejamento financeiro.

As bebidas alcoólicas, por exemplo, tiveram alta de 7,57% no ano passado, o que foi sentido por Túlio Borges, proprietário da casa noturna DDuck DClub, que fica na região da Savassi. No entanto, como a inflação média do país ficou baixa no ano, as pessoas puderam se organizar financeiramente, pois sabem quanto vão ganhar e quanto vão gastar no mês. Assim, os frequentadores da boate conseguiram aumentar o ticket médio gasto no local e o empresário teve um ano satisfatório.

“Nós sentimos que os preços de todas as bebidas subiram um pouco, mas conseguimos segurar e só fizemos um aumento no cardápio para os clientes no ano, em setembro, pois ficou mais fácil negociar com os fornecedores. E 2023 foi um ano muito bom para a gente. Sentimos que o poder aquisitivo das pessoas acompanhou os preços”, afirma Túlio Borges.

Inflação dos alimentos

Apesar do IPCA de 2023 ter ficado dentro da meta estipulada pelo governo federal, a inflação de dezembro foi acima da esperada pelos economistas em dezembro. O índice no mês ficou em 0,56%, enquanto a projeção de consenso era de 0,48%. Em novembro, o IPCA havia subido 0,28%.

“Na minha visão, o dado veio pior que o esperado, muito por conta da inflação de alimentos, que pressionou essa alta do índice. A inflação de alimentos no domicílio ficou em +1,34% ante +0,75% em novembro, uma alta bem significativa. Acredito que essa alta se deve aos problemas climáticos que os produtores vêm enfrentando, impactando a produção de alimentos e encarecendo os preços”, afirma André Fernandes, especialista de renda variável e sócio da A7 Capital.

Como alguns alimentos tiveram este peso sobre o IPCA, o Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais teve uma sensação que a inflação subiu muito no ano.

“A dona de casa não sentiu o controle da inflação em 2023. Pelo contrário, nós fizemos uma amostragem a partir de compras semanais, onde uma mesma quantidade de produtos, que durante algum tempo custava em torno de R$ 150, saltou ao longo do ano de 2023 para R$270, até R$ 300, na mesma quantidade de produtos. E nós não estamos avaliando aqui os alimentos que sofrem o efeito da sazonalidade, como é o caso das verduras e das frutas”, afirma Solange Medeiros, coordenadora institucional do movimento. Entre os itens que ela cita que ficaram mais caros estão o arroz, o óleo de soja e o papel higiênico.

O arroz, de fato, teve uma alta expressiva no ano de 24,54%. Mas o óleo de soja, citado pela entrevistada, foi um dos itens com maior queda no ano: -28%. E as carnes, que têm um peso importante na alimentação dos brasileiros, também ficaram mais baratas (-9,37%).

Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), que também trabalha com alimentação, enxerga uma maior estabilidade na economia brasileira e explica como esse cenário favorece o setor.

“A inflação controlada no país ajuda o setor de alimentação fora do lar em várias vertentes. Podemos citar uma das que consideramos mais importantes, que é planejar melhor o cardápio e encontrar soluções mais baratas, com qualidade, para oferecer ao cliente. Isso contribui para melhorar a rentabilidade geral e, com isso, o movimento nos estabelecimentos, que representa mais dinheiro no bolso da população e, consequentemente, gera mais consumo nos bares e restaurantes”, afirma Karla Rocha, presidente da Abrasel em Minas.

Inflação no comércio 

No comércio de Belo Horizonte, a visão é parecida com a dos bares e restaurantes: a inflação controlada ajuda muito o setor, facilita negociações e atrai mais clientes.

“Quando a inflação está sob controle, o comerciante sabe controlar seu estoque, o preço que ele vai praticar e como ele vai negociar com os fornecedores, pois não há mudanças bruscas nos preços. E as pessoas voltam mais para o mercado de consumo porque sobra mais dinheiro para consumir e para pagar as dívidas, já que elas estão gastando menos com itens de primeira necessidade”, justifica Ana Paula Bastos, economista da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

Clique aqui e confira a opinião do presidente Frank Sinatra sobre o cenário econômico para este ano.

Com informações de O Tempo

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