Sebrae Minas lança programa para internacionalizar pequenos negócios do estado
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou, na manhã desta segunda-feira (3), em Belo Horizonte, o programa Sebrae Exporta. A iniciativa pretende estimular a participação das micro e pequenas empresas de Minas Gerais no mercado internacional e facilitar o acesso a oportunidades de negócios fora do Brasil.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), apesar de representarem 40% das empresas que exportaram no Brasil em 2023, as micro e pequenas empresas são responsáveis por 0,8% do total exportado (US$ 339,6 milhões) no período.
“Sabemos que não é fácil o micro e pequeno empreendedor exportar. Ele não conhece as burocracias, e a nossa intenção é orientá-lo a exportar não só para o exterior como para o próprio Brasil, alcançando mais estados brasileiros”, explica o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.
O programa seguirá três etapas:
- na primeira, será feita uma análise dos negócios aptos e favoráveis à exportação, com avaliação de preços e capacidade produtiva;
- a segunda etapa será de preparação das micro e pequenas empresas para negociar com compradores e identificar os players interessados, cruzando informações de compradores e vendedores;
- já na terceira e última etapa do programa acontecerão as rodadas de negócios, onde os empresários poderão conhecer produtos e condições de venda, potencializando as chances de negociações.
“A expectativa é que com o avanço do programa, as empresas se organizem em polos produtivos em comum, com maturidade econômica para atender ao mercado externo cada vez melhor”, explica Souza e Silva.
O Sebrae vai disponibilizar profissionais próprios para a execução do programa com parcerias com os governos federal e estadual. “Nesse primeiro momento, nossos investimentos são os nossos profissionais. O Sebrae já trabalha, de alguma forma, com esses produtos: café, queijo e as frutas no Jaíba. Mas as pequenas empresas têm dificuldades. Então, identificamos isso e queremos potencializar estes negócios juntamente com o governo do Estado e com o governo federal porque precisamos de ingresso, capacitação e facilitações para que esses pequenos empresários possam estar nesse ambiente de mercado internacional”, detalha o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas.
Na opinião do presidente da FCDL-MG, Frank Sinatra, o Sebrae Minas é a mola propulsora dos pequenos negócios do estado.
“O presidente Marcelo vem fazendo um trabalho incrível, ampliando ainda mais a atuação do Sebrae no fomento às micro e pequenas empresas mineiras. O Sebrae Exporta é mais uma prova de como a entidade é fundamental para o desenvolvimento e expansão dos pequenos negócios e da economia do estado”.
Polo calçadista de Nova Serrana é piloto do projeto
Hoje, o polo exporta cerca de US$ 40 milhões anuais, e a expectativa é que só na rodada de negócios que acontecerá esta semana na cidade, 10% deste valor seja negociado com as 12 empresas que estarão representadas. Com isso, Lacerda espera que cerca de US$ 4 milhões em exportações já sejam negociados na ocasião.
O polo de Nova Serrana é composto por mais de 800 indústrias de 12 municípios em um raio de 50 quilômetros da cidade, e gera 20 mil empregos na região.
O projeto piloto do programa está sendo desenvolvido no polo calçadista de Nova Serrana, na região Oeste do Estado. A região, segundo o Sebrae, demonstrou interesse pelo programa e já possui um histórico de exportação para a Argentina que facilitou o desenvolvimento do projeto inicial.
O presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Ronaldo Andrade Lacerda, disse que estão preparados comercialmente e qualitativamente para ampliar as exportações. Para ele, o que faltava era justamente os contatos e a ampliação das relações.
“O programa do Sebrae coroa nosso momento atual. Estamos numa nova fase, um momento propício para crescer com as exportações. Estamos ganhando mais representatividade e atendendo clientes mais qualificados no Brasil. É o momento certo de ampliar os contatos e encontrar pessoas de confiança que gerem negócios futuros com o mercado internacional. Fazendo isso, as fábricas dão sequência às negociações”, explica Lacerda.
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