Você se preocupa com seus dados pessoais? Pesquisa da FCDL-MG analisa visão dos mineiros sobre LGPD
Em vigor desde setembro de 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi implementada para trazer mais segurança jurídica ao tratamento dos dados pessoais, uma medida importante para minimizar os desafios impostos pela era digital. Mas, e os mineiros, será que estão se preocupando com a proteção de seus dados? Esse foi o mote para uma pesquisa realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG) para saber a opinião dos consumidores de todo o estado a esse respeito.
Segundo o levantamento, 98% dos entrevistados afirmaram se preocupar com seus dados pessoais. Com relação à LGPD, 54,2% dos mineiros consideram que a Lei tem feito a diferença, enquanto 45,8% acreditam que ainda não houve mudanças nesse sentido.
Ainda de acordo com a pesquisa, 72,9% dos consumidores afirmaram não se sentirem seguros em disponibilizar seus dados no momento de efetuarem uma compra, enquanto apenas 27,1% disseram não se importarem.
“É importante que os estabelecimentos comerciais e empresas, de modo geral, avaliem e revisem os procedimentos relacionados à LGPD, implementando treinamentos de forma contínua à equipe, e reforçando as medidas técnicas e de segurança dos dados sensíveis dos clientes. Isso impacta positivamente na avaliação dos consumidores e poupa os empresários de sanções e multas por descumprimento”, avalia a assessora jurídica da FCDL-MG, Sara Sato.
O vazamento de dados, inclusive, implicaria em medidas judiciais, segundo 60,6% dos mineiros entrevistados. Outros 31,8% disseram que iriam primeiro à loja verificar o que aconteceu e 7,6% reclamariam nas redes sociais.
“Os lojistas e empresários têm que ficar atentos. A não implementação das medidas exigidas pela LGPD poderá levar a uma crise reputacional da empresa, na medida em que a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais) poderá determinar a publicização da infração cometida pelo estabelecimento, afetando sua credibilidade no mercado”, ressalta a advogada da FCDL-MG.
O levantamento mostra ainda que 50,8% não costumam dar consentimentos na utilização de seus dados. Outros 39% afirmaram não se importar em conceder e 10,2% responderam que concedem automaticamente. Os entrevistados também foram questionados sobre o hábito de tomar alguma medida de segurança ou fazer alguma avaliação antes de compartilhar suas informações pessoais. 84,7% informaram que têm esse costume e 15,3% que não.
“Como a maioria dos consumidores realizam compras nos mais variados estabelecimentos, físicos e virtuais, observamos que existe uma grande preocupação a respeito da destinação que se dá a esses dados que são solicitados. Com relação ao consentimento, o desconhecimento do tratamento dos dados ou a possibilidade de uma invasão de privacidade foram os pontos mais citados pelos entrevistados como justificativa para não liberar sua utilização”, explica o analista de inteligência de mercado da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva.
Silva ressalta que, nesse sentido, a pesquisa apontou também que 88,1% dos mineiros se sentem mais seguros em compartilhar seus dados nas lojas físicas, enquanto somente 11,9% confiam mais nas lojas virtuais.
“O contato e a presença proporcionados pelo atendimento das lojas físicas dão uma sensação maior de confiança ao consumidor. No meio digital, além da distância, há o receio de que os dados possam ser interceptados por um hacker, por exemplo”, analisa Vinícius Carlos.
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